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domingo, 22 de junho de 2014


RELAÇÃO ABERTA (?!)

Estamos namorando. Literalmente, n-a-m-o-r-a-n-d-o!

Temos vinte anos de diferença - às avessas: ele, 57, eu 37.
Nessas circunstâncias de "às avessas", Dr. Alzheimer nos persegue o tempo todo.
Passamos grande parte do tempo procurando coisas que esquecemos num canto qualquer: o jornal de ontem, os óculos, as chaves, as respectivas bengalas, se acabamos de sair - ou de entrar - na banheira, meu sutiã que esqueci na casa dele e que estaria dentro de uma valise com a qual ele iria viajar. Isso nos valeu várias mensagens pelo celular:
- Onde está que não encontro?
- Procura no teu quarto.Olha dentro da mala que está em cima da cômoda.
- Encontrei! Estava atrás da cômoda. Vou pendurá-lo na porta da rua como troféu. Nossa noite de amor ontem - (/?) será que foi quinta-feira passada?) estava bárbara.
- Não faça isso! Não quero que saibam que moramos em casas separadas.
- Que importa, amor? Nossa relação é aberta mesmo...
- "Que importa, amor?" Relação aberta? Não me falaste nada sobre isso.
- Bem... eu não disse, mas pensei. Sou sincero. Não pretendo deixar de ver aquela uvinha - (ele fala "uvinha! eca!) - de 25 que me visita aos sábados.

(Ele, pensando: "Ou seria às segundas-feiras, quando aquele docinho vem me fazer massagens, e algo mais, para a artrose, artrite, hérnia lombar e cervical, dores generalizadas que sinto o tempo inteiro, labirintite, tontura, náusea, rinite, sinusite, alergia a tudo... Não lembro o dia!... Devo verificar minha agenda com urgência para não haver confusão.")

- Relação aberta? @#*§ cobras & lagartos... Por essa eu não esperava! Não saberia dizer se estou preparada para isso.

(Ela pensando: "Se é assim, vou reaquecer a relação com aquele cinquentão que me persegue numa rede social, vou procurar meu vizinho, vou tomar café no shopping com o bonitão do facebook pra ver se rola alguma coisa. Pensando bem, vou contratar um garoto de programa. Há horas que não assisto a uma uma ereção completa, com preservativo e tudo a que tenho direito. TÔ PAGANDO!" Pensando bem, não gosto daquele ruído horroroso que a prótese dentaria dele faz quando fazemos amor.")

- Amor! de que é mesmo que estávamos falando? Ah... de uma relação complicada.
- Não... de relação... como é mesmo o nome?. Quando eu lembrar, passo uma mensagem. Bye, bye, Lindona. Te amo muito, Catarina.

Não me chamo Catarina e esse velho filho de uma grande senhora - que já deve ter virado pó - é um tremendo mulherengo. 
Pensando bem - no que é que eu estava pensando? ah... bonitão, cafezinho... shopping... Já que a relação é aberta, tô saindo para aquele cafezinho no shopping.




Há um montão deles me espreitando nas redes sociais.Estou aceitando relação aberta.

Abuelita centopeia  enverga, mas não cai.


4 comentários:

  1. que massa! adoro o ritmo que você impõe ao texto. a gente devora!

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    1. Obrigada, Mme. S.Que bom ter a opinião de quem entende de texto.

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  2. Quero saber dessa história daqui a cinco anos, quando Catarina (ops, o alemão é só degenerativo ou também contagioso ?) se encontrar às voltas com um guri, sendo 70 anos mais velha que ele, às avessas, é claro ! Adorei, adorei!!!!

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    1. Já pensei seriamente nisso... já pensei...não penso mais. Deixo a vida me levar.

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